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Tráfego pago para advogados é permitido pela OAB?

Sim, Google Ads é permitido pela OAB para advogados. Mas tem 4 regras do Provimento 205/2021 que pouca agência explica direito. A gente mostra com a norma na mão.

Compliance

A pergunta é justa. Você já viu colega tomando processo ético na OAB por anúncio mal feito, e agora está em dúvida se vale o risco de rodar tráfego pago para advogados. A boa notícia: o Provimento 205/2021 da OAB permite, sim. A má: pouca agência te explica corretamente o que pode e o que não pode, e quando dá ruim, o problema é seu, não delas.

Vamos direto ao ponto, com a norma aberta.

A resposta direta: sim, é permitido (com 4 regras)

O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB regula publicidade na advocacia desde 2021 e cobre Google Ads, redes sociais, WhatsApp, chatbot e site institucional. Ele permite expressamente o anúncio pago, desde que respeite quatro pilares:

  1. Caráter informativo, nunca persuasivo. Você pode informar serviço, área de atuação, formação e contato. Não pode usar gatilho de venda.
  2. Sem ostentação. Carro de luxo na foto, “advogado da elite”, “milhões em causas ganhas”. Tudo proibido.
  3. Sem captação ativa de cliente. O anúncio responde a quem está procurando você. Você não persegue ninguém.
  4. Linguagem sóbria. Sem promessa de resultado, sem comparação direta com colega, sem “última oportunidade”.

Resumindo: o Google Ads cabe perfeitamente nesse modelo, porque por natureza ele aparece para quem já está buscando advogado. É publicidade passiva, exatamente o que a OAB quer ver.

O problema é o que você escreve no anúncio e o que coloca na página de destino.

O que o Provimento 205/2021 da OAB realmente diz

A versão atualizada do Provimento, em vigor, traz três artigos que tocam diretamente em tráfego pago:

  • Art. 4º estabelece que a publicidade na advocacia tem caráter informativo e deve primar pela sobriedade. Sem espalhafato, sem “compre agora”, sem “vagas limitadas”.
  • Art. 5º permite o uso de mídias digitais, incluindo links patrocinados (Google Ads), desde que mantido o caráter informativo.
  • Art. 7º lista vedações expressas: divulgar valor de honorários, ostentar bens, prometer resultado, fazer comparação com outros profissionais.

A regra prática é simples: se o anúncio fosse uma placa na porta do escritório, ele caberia. Você não escreveria “advogado que ganha 90% das causas” numa placa na rua. Logo, não escreve no Google Ads.

O que você PODE fazer no Google Ads

Coisa que muita gente acha que é proibido e não é:

  • Anunciar para palavras como “advogado trabalhista” ou “advogado divórcio”. É busca ativa do cliente, perfeitamente OK.
  • Aparecer no topo do Google com link patrocinado. Permitido pelo art. 5º.
  • Ter site institucional com formulário de contato. Padrão de mercado.
  • Mostrar foto sua sóbria no anúncio ou na landing page.
  • Listar áreas de atuação (trabalhista, criminal, previdenciário, família). Informativo, OK.
  • Mencionar tempo de OAB, formação acadêmica e especializações. É informação curricular, não promessa.

O que você NÃO pode (lista que pode te derrubar na OAB)

Aqui que muita campanha mal feita queima:

  • “Advogado #1 em [cidade]”, “melhor”, “mais experiente”. Comparação direta com colegas é vedação expressa do art. 7º.
  • Promessa de resultado: “ganhe sua causa”, “indenização garantida”, “recupere seus direitos”. Mesmo o verbo no imperativo já liga o alarme.
  • Divulgar valor de honorário no anúncio ou na landing page. “Consultoria a partir de R$ 200” cai direto no art. 7º.
  • Depoimento de cliente narrando vitória específica. A OAB entende como captação e exposição indevida.
  • Foto ostentosa: carro, dinheiro, viagem de luxo, terno caríssimo posando. Sobriedade é a régua.
  • Anúncio em vídeo do tipo ostensivo. Vídeo curto e sóbrio explicando área de atuação tem espaço, mas roteiro de venda agressiva não.
  • Criar sensação de urgência: “vagas limitadas”, “última semana”, “promoção”. Marketing de e-commerce, não de advocacia.

Como rodar Google Ads sem virar processo ético

A maioria das agências entrega anúncio escrito como se você vendesse curso na Hotmart. Isso te coloca em risco, mesmo que o tráfego venha. O caminho seguro:

  1. Texto do anúncio: descritivo, não persuasivo. Algo como “Advocacia Trabalhista. Atuação em [cidade]. [Tempo] de experiência. Agende consulta.” Fim.
  2. Página de destino: institucional, com áreas de atuação, currículo do profissional, formulário de contato. Sem “garanta sua vitória”, sem countdown de promoção.
  3. Palavras-chave: foco em busca informacional ou comercial leve. “Advogado trabalhista [cidade]”, “consulta jurídica [área]”. Evite captação direta de quem já está em processo específico.
  4. Sem retargeting agressivo. Anúncio que persegue o cliente em todas as redes pode configurar captação ativa.
  5. Imagem sóbria. Logo, fachada, headshot profissional. Sem cenário de luxo.

Quem busca gestão correta de Google Ads pra advogados deve pedir pra ver os anúncios antes de aprovar a campanha. Se a agência não te mostra, é sinal de que ela não quer que você veja.

Por que 90% das agências te coloca em risco

Olha por que isso acontece. O agente de tráfego pago padrão aprendeu a vender produto digital, dropshipping, infoproduto. O playbook é gatilho de urgência, prova social agressiva, oferta com “últimas vagas”. Quando essa pessoa começa a atender advogado, ela aplica o mesmo manual. E você assina embaixo, achando que ela sabe o que faz.

A maioria dos anúncios que rodam para advocacia hoje no Brasil viola pelo menos um item do art. 7º do Provimento 205. A OAB ainda não fiscaliza tudo, mas a tendência é apertar. Entender o método antes de contratar é proteção sua, não burocracia.

A nossa abordagem na Criaativos parte da norma e desce para a técnica, não o contrário. Pricing público no site, contrato sem fidelidade, conta de Google Ads no seu CNPJ. Se um dia você quiser sair, sai sem multa e leva o aprendizado da campanha junto.

Decidir contratar tráfego pago é decisão técnica. Mas decidir se Google Ads vale a pena pro tipo de advocacia que você faz é outra discussão. E quando estiver na hora de medir resultado, vale conferir como acompanhar Google Ads sem virar refém da sua agência.

Perguntas frequentes

Advogado pode anunciar no Google?

Sim. O Provimento 205/2021 da OAB permite expressamente links patrocinados no Google, desde que o anúncio tenha caráter informativo e respeite as regras do art. 7º (sem ostentação, sem promessa de resultado, sem comparação direta com colegas).

Posso usar “melhor advogado” no anúncio?

Não. Comparação direta com outros profissionais é vedação expressa do Provimento. Termos como “experiente” ou “especializado em [área]” são aceitos, porque descrevem serviço sem comparar.

Posso anunciar no YouTube?

Vídeo institucional sóbrio explicando áreas de atuação, sim. Vídeo de venda com gatilho, depoimento de cliente narrando vitória ou ostentação, não. A régua é a mesma do anúncio em texto: caráter informativo.

Posso usar depoimento de cliente?

Em landing page institucional, depoimento genérico (“excelente atendimento”, “profissional dedicado”) tem espaço, com cuidado. Depoimento que narra resultado específico (“ganhei minha causa graças ao Dr. X”) configura risco de promessa de resultado e exposição indevida. Não recomendo.

Posso pagar por palavra-chave “advogado especialista em [área]”?

Sim. “Especialista” no sentido de área de atuação é descritivo. O cuidado é não combinar com promessa: “especialista que ganha sua causa” passa a ser problema.

A OAB já puniu alguém por anúncio no Google Ads?

Sim, há casos registrados desde 2022 de processos éticos abertos por anúncios que continham promessa de resultado, comparação com colegas ou divulgação de valor. A maioria dos casos veio de denúncia de outro advogado, não de fiscalização ativa da OAB. Ou seja, basta um colega irritado.


A Criaativos faz gestão de Google Ads pra advogados com diagnóstico grátis antes de qualquer contrato, sem call de vendedor empurrando contrato. Pricing público no site, sem fidelidade, com a norma da OAB como ponto de partida.